No mar, em Floripa,abril,2011. Nos oceanos, percorri infinitas milhas, sentindo a brisa no rosto, buscando no horizonte o que é invisível aos olhos mas que imaginei em meus sonhos. Minha paixão é o mar. Aprendi a amar,a entender,a perdoar e a ir além daquilo que eu considerava ser meus limites, a admitir e enfrentar meus medos.Foi no mar que vi meus filhos crescerem e no mar ganhei uma filha.
No momento estou tentando adivinhar a nuance exata do azul que muda para inimagináveis tons de verde, cinza e volta a ser azul. Num piscar de olhos, ele passa de calmo para tormentoso, de amigo para inimigo, e se diverte conosco humanos, em nossas tentativas de conhecê-lo, domá-lo e conquistá-lo. Ele tem me ensinado a ser forte e corajosa num momento, só para tirar essas minhas certezas mais adiante.Tive que descobrir meios de me adaptar às situações novas e imprevistas. Ouço sua voz que canta e me encanta, e nesse momento,no Aysso, me embala. Seu sussurro me diz... solte suas amarras,siga seu destino. E entendo a mensagem: não nasci para ficar no porto...
Thursday, April 28, 2011
Thursday, April 21, 2011
FELIZ PÁSCOA
Em junho de 1999, quando estávamos velejando na Magalhães Global Adventure,passamos um momento especial na Ilha de Páscoa.
Localizada ao sul do Oceano Pacífico, essa ilha abriga os misteriosos moais, estátuas esculpidas a partir das pedras do vulcão Rano Raraku, dispostas em diversos altares espalhados pela ilha.
A lembrança que mais me emociona é ligada a Kat. Quando estávamos perto da ilha, ela tinha certeza de que os ovos de Páscoa eram fabricados lá. Afinal a ilha tem o nome de Páscoa?Os coelhinhos eram o centro das preocupações de Kat. Ao desembarcarmos ela os procurava em todos os lugares,e não os encontrava. Como explicar-lhe onde estavam os bichinhos? Saíram de férias?
— Ah, já sei. Eles foram para a Patagônia. Lembra que vimos muitos deles lá? - eu dizia.
— Mas eu sei que eles deixaram ovinhos para mim! - ela falava com firmeza.
Procuramos por todos os supermercados da ilha, mas não encontramos nada parecido com um ovo de páscoa nomes de junho!
No meu diário de bordo transmitido online, comentei o assunto sobre os ovinhos.
Dias depois, minha sobrinha Fernanda que mora em Miami, nos enviou uma encomenda. Ao abrir o pacote, encontrei duas dúzias de ovos de plástico, lindos, coloridíssimos recheados de chocolate.Chorei de emoção. Ela havia lido o meu diário sobre a expectativa de Kat.
Ao amanhecer do dia seguinte, Jaime, tripulante do Aysso, foi em terra construir ninhos de pedra para esconder os ovinhos, num gramado bem em frente aos moais.
Kat acordou e a convidamos para ir procurar os ovos. Animada, procurou pelos ninhos em todos os montes de pedra. O desapontamento dela aumentava a cada tentativa frustrada... Quando chegou em frente aos moais, retirou uma pedra de um ninho e ao ver um objeto colorido, começou a derrubar as outras pedras, gritando:
— É aqui! Olha, quantos ovinhos! E que lindos! Viu? Não falei que aqui era a ilha da Páscoa?
Sentou-se no chão e foi colocando todos os ovos no colo e falou:
— Estou muito feliz, eu sabia que vocês não iam se esquecer de mim.Obrigado coelhinhos...
Emocionada, agradeci o carinho de Fernanda.
Feliz Páscoa!
Localizada ao sul do Oceano Pacífico, essa ilha abriga os misteriosos moais, estátuas esculpidas a partir das pedras do vulcão Rano Raraku, dispostas em diversos altares espalhados pela ilha.
A lembrança que mais me emociona é ligada a Kat. Quando estávamos perto da ilha, ela tinha certeza de que os ovos de Páscoa eram fabricados lá. Afinal a ilha tem o nome de Páscoa?Os coelhinhos eram o centro das preocupações de Kat. Ao desembarcarmos ela os procurava em todos os lugares,e não os encontrava. Como explicar-lhe onde estavam os bichinhos? Saíram de férias?
— Ah, já sei. Eles foram para a Patagônia. Lembra que vimos muitos deles lá? - eu dizia.
— Mas eu sei que eles deixaram ovinhos para mim! - ela falava com firmeza.
Procuramos por todos os supermercados da ilha, mas não encontramos nada parecido com um ovo de páscoa nomes de junho!
No meu diário de bordo transmitido online, comentei o assunto sobre os ovinhos.
Dias depois, minha sobrinha Fernanda que mora em Miami, nos enviou uma encomenda. Ao abrir o pacote, encontrei duas dúzias de ovos de plástico, lindos, coloridíssimos recheados de chocolate.Chorei de emoção. Ela havia lido o meu diário sobre a expectativa de Kat.
Ao amanhecer do dia seguinte, Jaime, tripulante do Aysso, foi em terra construir ninhos de pedra para esconder os ovinhos, num gramado bem em frente aos moais.
Kat acordou e a convidamos para ir procurar os ovos. Animada, procurou pelos ninhos em todos os montes de pedra. O desapontamento dela aumentava a cada tentativa frustrada... Quando chegou em frente aos moais, retirou uma pedra de um ninho e ao ver um objeto colorido, começou a derrubar as outras pedras, gritando:
— É aqui! Olha, quantos ovinhos! E que lindos! Viu? Não falei que aqui era a ilha da Páscoa?
Sentou-se no chão e foi colocando todos os ovos no colo e falou:
— Estou muito feliz, eu sabia que vocês não iam se esquecer de mim.Obrigado coelhinhos...
Emocionada, agradeci o carinho de Fernanda.
Feliz Páscoa!
Tuesday, April 12, 2011
Hoje o dia amanheceu mais feliz e fui ...
... procurar nos calendários e relógios para saber onde foi parar o tempo. Vendo suas fotos, David,desde bebe, menino, adolescente, homem e pai, me lembro como se fosse hoje quando o segurei recém nascido nos meus braços.Quem me dera que eu pudesse parar o tempo. Mas se isso fosse possível, eu teria perdido os momentos tão lindos e privilegiados de vê-lo crescer e se tornar essa pessoa especial que voce é. E meu amigo também.
Meu filho, quero desejar tudo de ótimo, hoje e sempre...
I love you very much.
Com muito muito carinho da Formiga
Meu filho, quero desejar tudo de ótimo, hoje e sempre...
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| Happy Birthday David! |
Com muito muito carinho da Formiga
Thursday, March 31, 2011
Como fomos enfeitiçados pelo mar.

Parece que foi ontem, mas foi em 1974.Um ano de muitas mudanças em nossas vidas.É bem verdade que foi de muito trabalho na escola de inglês que dirigíamos, mas foi também o nascimento de David, nosso segundo filho.
Em dezembro,deixamos Pierre,(6 anos) e David (9 meses)com os avós Elly e Eddie enquanto Vilfredo e eu fomos passar a semana de férias de Natal, nas Ilhas Virgens, no Caribe. Fizemos todos os programas típicos dos turistas: praia, mergulhos, passeios pelas ruelas com casario histórico. No terceiro dia, caminhávamos de mãos dadas pela orla, quando vimos passar um veleiro,com pessoas rindo, felizes. Nunca tínhamos velejado antes mas, naquele mar azul-turquesa e de águas transparentes, aquele veleiro era um convite para a aventura.
- “Vamos dar uma volta de barco?”, perguntou Vilfredo. Meus olhos brilharam. Desde pequena tenho um sonho de saber o que existe atrás dos horizontes... Nascida e criada em Ipanema, o mar fazia parte do meu dia–a-dia. Meu passatempo favorito era ir até a ponta do Arpoador, em Ipanema, e, sentada nas pedras, ficava olhando os navios e barcos e imaginando para onde será que vão e de onde vem. Que vontade tinha de descobrir o que havia alem da linha do horizonte...
- “Então vamos!”, confirmou Vilfredo. E fomos fazer reserva para o dia seguinte.
Entramos no veleiro sem nenhum preparo prévio. Não estou me referindo às instruções de segurança à bordo. O que quero dizer é que ninguém nos avisou que velejar pela primeira vez pode mudar o destino das pessoas.
Quando você está no alto-mar, o veleiro deslizando na água, o silêncio sendo quebrado somente pelo farfalhar das velas contra o vento, o ruído do mar contra o costado, você não percebe a presença de Netuno, Rei dos Mares, movimentando seu tridente, envolvendo os marinheiros de primeira viagem, desavisados do poder de sua magia. Quando percebe que alguma coisa estranha está acontecendo com você, já é tarde demais. Você foi enfeitiçado pelo mar.
Sunday, January 9, 2011
UMA RECEITA DE FAMÍLIA QUE LI NO LIVRO DE FRANCISCO AZEVEDO E COMPARTILHO COM VOCÊS ...

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vem a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida - azeitona verde no palito - sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida.

Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano - quem diria? - solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias - que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar - tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.

Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão.Não existe “Família à Oswaldo Aranha”, “Família à Rossini”, Família à “Belle Meunière” ou “Família ao Molho Pardo” - em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada - seriam assim um tipo de “Família Diet”, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Há famílias, por exemplo, que levam muito tempo para serem preparadas. Fica aquela receita cheia de recomendações de se fazer assim ou assado - uma chatice! Outras, ao contrário, se fazem de repente, de uma hora para outra, por atração física incontrolável - quase sempre de noite. Você acorda de manhã, feliz da vida, e quando vai ver já está com a família feita. Por isso é bom saber a hora certa de abaixar o fogo. Já vi famílias inteiras abortadas por causa de fogo alto.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

Texto extraído do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo (Editora Record, 2008)
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