Powered By Blogger

Wednesday, June 1, 2011

1989.Baia de Tuvahine, Polinésia Francesa. Chovendo três dias sem parar. O mar a nossa volta parecia terra, cheio de troncos e folhas de coqueiros. Aproveitamos para colocar as aulas em dia. Na matemática eram frações com lado pratico - fazer um bolo:3/4 de farinha de trigo,um quarto de um tablete de manteiga,1/4 de acucar etc. Pronto o bolo, tínhamos que dividi-lo em 8 partes e cada um comer 1/8 e sucessivamente ate ficarmos com ½ bolo.Divertido e didatico. A noite deixamos o bolo em cima da pia e fomos dormir. Pela manha o bolo tinha sido roído e corroído.
Quem fez isso? conclusão:tínhamos um camundongo a bordo. A noite coloquei farinha de trigo na bancada e uma isca de toucinho. Pela manhã descobrimos marcas de patinhas e a isca desaparecida.Humm. Todos alimentos tinham sido guardados na geladeira e armários.Como entrou aquino meio da baía?Lógico, o bicho deve ter sido trazido pela enxurrada e subiu pela corrente da ancora.


-Vamos procurar em todos os lugares! Fácil, o veleiro é um lugar pequeno.Ledo engano. Cada canto foi vasculhado e nada do roedor. Vilfredo , bravo capitão, se aventurou no diluvio e foi na vila mais próxima comprar ratoeiras para camundongos e as colocamos no barco com iscas. A noite, escutamos dois estalos, corremos pra ver e nada. No quarto dia, acabou a chuva, decidimos velejar de volta a Tahiti.Um camundongo a bordo podia roer fios,danificar a eletricidade, roer as roupas etc .

Na partida, eu estava no leme e o Capitão e os meninos,David e Wilhelm, levantavam a vela. De repente, um ratão pulou da vela ao meu lado. Foi uma gritaria a bordo e o bicho correu da gente, entrou na cabine e se escondeu entre as almofadas da sala, com o rabo de fora. Pequei o rato pelo rabo, de cabeça pra baixo. e o levei para fora.
Os meninos estavam esperando com bastão de beisebol pronto pra bater no bicho
-NAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO.Berrei! Aghh, já imaginou ter que limpar o estrago? Vamos jogá-lo n'água.

Com o barco perto do pier da vila,larguei o ratão no mar. E bem faceiro, ele nadou para as pedras e foi embora.

Saturday, May 28, 2011

CÉU DE ÁGUA

Suavemente, Kat mergulhou
nas profundezas do mar,
e se fez água e luz, sal e cor.
Agora, não haverá distância nem tempo:
tudo será Noronha, Caribe,
Mediterrâneo, Egeu.



Apenas, sem limites nem medidas,
o silêncio dos abismos
e o deslizar das correntes,
por entre algas e peixes,
ostras e conchas.


Vez em quando, Kat ouvirá
um distante ruído de motor,
um suave drapejar de velas.
  


E pensará no mundo pequeno
e agitado em que viveu.
Subirá talvez à superfície
para contemplar a solidão das ilhas,
a lembrança das praias.


          Docemente, então, mergulhará no azul profundo,
na plenitude da paz,
no céu de água onde viverá para sempre!


                                                                                                                            (Edmílson Caminha 2006)


Kat, há cinco anos você foi para o CÉU DE ÁGUA e nos deixou com muitas saudades.

Tuesday, May 17, 2011

DIA INTERNACIONAL DO MUSEU


Sou fã de carteirinha de Museu. Isso começou quando éramos pequenas, minha mãe nos vestia,minha irmã Eliane e eu com as melhores roupas para irmos visitar os museus. Vivíamos no Rio e visitamos todos os daquela cidade e dos arredores, sendo meu favorito o Palácio Imperial de Petrópolis,o MUSEU IMPERIAL.
Fomos morar em Nova York quando eu era adolescente,e íamos de metro, as vezes de onibus para chegar quando abrissem as portas e ficar até  elas fecharem.Quantas descobertas! Guggenheim,New York Hall of Science,o Museum of the City of New York, o MET(Metropolitan Museum of Art), os Cloisters e pelo menos 10 outros mais.
Meu favorito era o Natural History Museum.Ia visitá-lo sempre que podia, e voltava lá trazendo algum parente ou amigos do Brasil que vinham nos visitar.Coitados, queriam fazer compras em NY e iam parar no Museu comigo.
Eu andava pelo prédio de quatro andares, curtindo tudo e se desse tempo ia ler na maior biblioteca de história natural.
Os artefatos culturais de diversas civilizações, algumas já extintas, e mais de 32 milhões de espécimes animais que vão de dinossauros a borboletas, de mamutes a moluscos são incríveis.
Mas o que me fascinava mesmo, eram os dinossauros. Lá esta a maior coleção de ossos de dinossauros do mundo,que contam a história da evolução de mais de 600 espécies (85% das ossadas são reais). Acho que até os fosseis já me conheciam.
Agora da pra imaginar euzinha, de caderno anotando tudo?

Pois é, cresci virei mãe e lá fui eu "arrastar" meus filhos para visitar os museus no Brasil e pelo mundo.


Por todos os 45 países que passamos, um museu pelo menos era alvo de nossa expedição. Na realidade a curiosidade era minha, mas eles me viam tão entusiasmada que desconfiavam que tinha algo de bom nos museus.E aprendi muito através das perguntas e ponto de vista deles e continuo aprendendo.



Recentemente visitei o interessante Museu da Lingua Portuguesa em São Paulo,moderno e interativo.E o ultimo que conheci, em janeiro desse ano, foi com meu filho David e meu neto Kian, o Museu do Trem em Miami(Gold Coast Railroad Museum).Muito divertido!
Os museus tem muitas histórias interessante para contar e nos temos muitas delas para contar em um museu. Por isso criamos em Bombinhas, SC, o Museu da Família Schurmann no Instituto Kat Schurmann, com exposição de fotos, vestimentas, objetos e peças de artesanato dos lugares que visitamos, miniatura do veleiro Aysso e equipamentos de navegação.

E você, já visitou um Museu esse ano?

Thursday, April 28, 2011

Não nasci para ficar no porto...

No mar, em Floripa,abril,2011. Nos oceanos, percorri infinitas milhas, sentindo a brisa no rosto, buscando no horizonte o que é invisível aos olhos mas que imaginei em meus sonhos. Minha paixão é o mar. Aprendi a amar,a entender,a perdoar e a ir além daquilo que eu considerava ser meus limites, a admitir e enfrentar meus medos.Foi no mar que vi meus filhos crescerem e no mar ganhei uma filha.
No momento estou tentando adivinhar a nuance exata do azul que muda para inimagináveis tons de verde, cinza e volta a ser azul. Num piscar de olhos, ele passa de calmo para tormentoso, de amigo para inimigo, e se diverte conosco humanos, em nossas tentativas de conhecê-lo, domá-lo e conquistá-lo. Ele tem me ensinado a ser forte e corajosa num momento, só para tirar essas minhas certezas mais adiante.Tive que descobrir meios de me adaptar às situações novas e imprevistas. Ouço sua voz que canta e me encanta, e nesse momento,no Aysso, me embala. Seu sussurro me diz... solte suas amarras,siga seu destino. E entendo a mensagem:  não nasci para ficar no porto...


Thursday, April 21, 2011

FELIZ PÁSCOA

Em junho de 1999, quando estávamos velejando na Magalhães Global Adventure,passamos um momento especial na Ilha de Páscoa.

Localizada ao sul do Oceano Pacífico, essa ilha abriga os misteriosos moais, estátuas esculpidas a partir das pedras do vulcão Rano Raraku, dispostas em diversos altares espalhados pela ilha.
A lembrança que mais me emociona é ligada a Kat. Quando estávamos perto da ilha, ela tinha certeza de que os ovos de Páscoa eram fabricados lá. Afinal a ilha tem o nome de Páscoa?Os coelhinhos eram o centro das preocupações de Kat. Ao desembarcarmos ela os procurava em todos os lugares,e não os encontrava. Como explicar-lhe onde estavam os bichinhos? Saíram de férias?
— Ah, já sei. Eles foram para a Patagônia. Lembra que vimos muitos deles lá? - eu dizia.
— Mas eu sei que eles deixaram ovinhos para mim! - ela falava com firmeza.
Procuramos por todos os supermercados da ilha, mas não encontramos nada parecido com um ovo de páscoa nomes de junho!
No meu diário de bordo transmitido online, comentei o assunto sobre os ovinhos.
Dias depois, minha sobrinha Fernanda que mora em Miami, nos enviou uma encomenda. Ao abrir o pacote, encontrei duas dúzias de ovos de plástico, lindos, coloridíssimos recheados de chocolate.Chorei de emoção. Ela havia lido o meu diário sobre a expectativa de Kat.
Ao amanhecer do dia seguinte, Jaime, tripulante do Aysso, foi em terra construir ninhos de pedra para esconder os ovinhos, num gramado bem em frente aos moais.
Kat acordou e a convidamos para ir procurar os ovos. Animada, procurou pelos ninhos em todos os montes de pedra. O desapontamento dela aumentava a cada tentativa frustrada... Quando chegou em frente aos moais, retirou uma pedra de um ninho e ao ver um objeto colorido, começou a derrubar as outras pedras, gritando:
— É aqui! Olha, quantos ovinhos! E que lindos! Viu? Não falei que aqui era a ilha da Páscoa?
Sentou-se no chão e foi colocando todos os ovos no colo e falou:
— Estou muito feliz, eu sabia que vocês não iam se esquecer de mim.Obrigado coelhinhos...
Emocionada, agradeci o carinho de Fernanda.

Feliz  Páscoa!

Tuesday, April 12, 2011

Hoje o dia amanheceu mais feliz e fui ...

... procurar nos calendários e relógios para saber onde foi parar o tempo. Vendo suas fotos, David,desde bebe, menino, adolescente, homem e pai, me lembro como se fosse hoje quando o segurei recém nascido nos meus braços.Quem me dera que eu pudesse parar o tempo. Mas se isso fosse possível, eu teria perdido os momentos tão lindos e privilegiados de vê-lo crescer e se tornar essa pessoa especial que voce é. E meu amigo também.
Meu filho, quero desejar tudo de ótimo, hoje e sempre... 


Happy Birthday David!
I love you very much.

Com muito muito carinho da Formiga

Thursday, March 31, 2011

Como fomos enfeitiçados pelo mar.



Parece que foi ontem, mas foi em 1974.Um ano de muitas mudanças em nossas vidas.É bem verdade que foi de muito trabalho na escola de inglês que dirigíamos, mas foi também o nascimento de David, nosso segundo filho.

Em dezembro,deixamos Pierre,(6 anos) e David (9 meses)com os avós Elly e Eddie enquanto Vilfredo e eu fomos passar a semana de férias de Natal, nas Ilhas Virgens, no Caribe. Fizemos todos os programas típicos dos turistas: praia, mergulhos, passeios pelas ruelas com casario histórico. No terceiro dia, caminhávamos de mãos dadas pela orla, quando vimos passar um veleiro,com pessoas rindo, felizes. Nunca tínhamos velejado antes mas, naquele mar azul-turquesa e de águas transparentes, aquele veleiro era um convite para a aventura.

- “Vamos dar uma volta de barco?”, perguntou Vilfredo. Meus olhos brilharam. Desde pequena tenho um sonho de saber o que existe atrás dos horizontes... Nascida e criada em Ipanema, o mar fazia parte do meu dia–a-dia. Meu passatempo favorito era ir até a ponta do Arpoador, em Ipanema, e, sentada nas pedras, ficava olhando os navios e barcos e imaginando para onde será que vão e de onde vem. Que vontade tinha de descobrir o que havia alem da linha do horizonte...
- “Então vamos!”, confirmou Vilfredo. E fomos fazer reserva para o dia seguinte.

Entramos no veleiro sem nenhum preparo prévio. Não estou me referindo às instruções de segurança à bordo. O que quero dizer é que ninguém nos avisou que velejar pela primeira vez pode mudar o destino das pessoas.
Quando você está no alto-mar, o veleiro deslizando na água, o silêncio sendo quebrado somente pelo farfalhar das velas contra o vento, o ruído do mar contra o costado, você não percebe a presença de Netuno, Rei dos Mares, movimentando seu tridente, envolvendo os marinheiros de primeira viagem, desavisados do poder de sua magia. Quando percebe que alguma coisa estranha está acontecendo com você, já é tarde demais. Você foi enfeitiçado pelo mar.